OS LIMITES DO CIÚME

Flórence Diedrich

6 de maio de 2017

Psicologia
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         O ciúme é um sentimento bastante comum, principalmente nos relacionamentos amorosos. Pode ser considerado uma reação ao medo real ou imaginário de perder alguém significativo para outra pessoa.

       É um sentimento socialmente aceito, muitas vezes valorizado e visto por algumas pessoas como manifestação de amor e cuidado, podendo inclusive haver cobrança em relação àqueles que não demonstram o ciúme, como se na ausência dele, também houvesse ausência de cuidado ou amor.

          Para outras pessoas, o ciúme pode ser entendido como imaturidade  ou baixa autoestima. De qualquer forma, é um sentimento bastante presente e acredito que seja consenso o fato de ninguém gostar de senti-lo.

       O ciúme pode gerar sentimentos de ansiedade, raiva, tristeza, insegurança, dificuldade de foco em outras atividades e comportamentos de investigação e controle, como olhar o celular ou invadir as redes sociais do parceiro, passando a desrespeitar o espaço de intimidade do outro.

       Não há problema em sentir ciúmes, mas precisamos estar atentos à forma como ele altera nosso comportamento e interfere na relação.

         Existe o ciúme circunstancial, de baixa intensidade, que aparece frente a uma ameaça real, como por exemplo, uma reação a um distanciamento do parceiro, no sentido de buscar cuidar da relação e diminuir algum risco. Este poderia ser considerado um ciúme saudável.

         Porém, também existe o ciúme patológico, que já faz parte de um processo de adoecimento psíquico, é mais intenso, constante, com reações desproporcionais aos fatos, mais relacionado a fantasias e medos do que a situações concretas de ameaça a relação.

          O ciúme exagerado traz prejuízos para ambos os parceiros e para a relação, pois o clima constante de tensão e desconfiança acaba não deixando espaço para o crescimento da relação e compartilhamento de intimidade e bons momentos.

          Muitas vezes, os comportamentos de investigar o parceiro acabam tomando o lugar das atividades ou interação positiva do casal, o que acaba por distanciá-los, mantendo um clima de desconfiança, e daí sim, favorecer um afastamento da dupla...em outros casos, estas situações são tão desgastantes, que podem culminar no término de uma relação fragilizada por sentimentos de desconfiança e insegurança.

        Muitas vezes são os comportamentos do ciumento que acabam por colocar a relação em risco e trazer um efeito contrário, de afastamento real, ao invés de preservação da relação.

         Alguns parceiros podem passar para a futura relação a conta de uma infidelidade vivenciada anteriormente, passando a desconfiar de todos os parceiros. Outras pessoas, trazem para a relação crenças familiares já estabelecidas, como por exemplo: “todos os homens traem”, e acabam de alguma forma buscando não conscientemente parceiros que não estejam comprometidos e que confirmem esta crença.

        Se você percebe que o ciúme vem atrapalhando suas relações e trazendo prejuízos, é hora de procurar um profissional, para através da Psicoterapia Individual ou Conjugal, entender melhor o que está acontecendo e buscar novas formas de se relacionar e lidar com este sentimento.

         O ciúme, quando expressado de forma adequada e não frequente, e acolhido pelo parceiro, pode servir para reforçar os sentimentos de segurança e intimidade. Isso porém, é diferente de necessitar constantemente de afirmação do outro para se sentir seguro na relação.

        Uma sugestão é ficar atento a forma como você expressa o ciúme e como o parceiro o recebe, além de estar atento se existe algum fato concreto, alguma ameaça real à relação ou se são mais medos ou fantasias infundadas.               Outro ponto fundamental é investir na sua auto-estima e no seu relacionamento, ao invés de “investir” em comportamentos de controle que tornarão ambos prisioneiros na relação.

Por: Psic. Flórence Diedrich

*Esse material é informativo e não substitui a consulta com um profissional



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